O choro do bebé: O que fazer quando o bebé chora? Como e quando responder?

O desenvolvimento emocional e da linguagem no bebé

Hoje o post, tal como foi referido no último, é dedicado a um tema que muito preocupa os pais: O choro. O que fazer quando o bebé chora? Deverão ir sempre lá? Quando é que o bebé percebe o que queremos dizer?
Ainda antes de falar sobre a temática do choro importa abordar ao de leve como se processa o desenvolvimento emocional e da fala do bebé. Vários estudos indicam que “(…) entre os quatro e os oito meses, as crianças já conseguem identificar palavras conhecidas com sucesso no meio de uma sequência de sons, independentemente de estas fazerem sentido ou não.” [1]

A perceção auditiva alcança maturidade suficiente entre os 8 e os 10 meses, mas não a articulação, devido à estrutura orofonatória dos bebés e ao seu controlo motor.

Assim, existe uma grande diferença entre o que o bebé compreende e aquilo que consegue realmente produzir, assimilando muito mais palavras do que aquelas que produz. Fantástico, não é?

Nos primeiros anos as crianças investem imensa energia em capacidades que, depois de dominadas, são tidas como certas: decifrar o significado não só da linguagem, mas também do tom de voz, expressão facial e gestos. A aprendizagem das emoções começa pouco depois do nascimento. Aos 4 meses a criança já observa os pais com um interesse tão grande que os obriga a responder da mesma maneira: está apenas a explorar o seu impacto nos sentimentos dos outros. Aos 9 meses o bebé espera encontrar no rosto de quem cuida dele informação sobre toda e qualquer situação. Ele já lê as expressões faciais no sentido de descobrir o que estas têm a dizer-lhe sobre o mundo. Aos 10 meses a criança já é capaz de reconhecer sete emoções diferentes no rosto das pessoas que cuidam dela: alegria, tristeza, raiva, medo, surpresa, aborrecimento e interesse.[2] Afinal, os bebés até entendem bastante sobre o que dizemos e fazemos!

Coloca-se, então, a pergunta:
Quando começar a disciplinar?

A resposta é simples: exatamente no primeiro dia de vida do bebé. [3]
Neste momento, os papás que estiverem a ler o blog devem estar a pensar: No primeiro dia? Mas como? O bebé não fala. Exato, não fala, mas como já pudemos verificar anteriormente compreendem bastante sobre a nossa linguagem verbal e não verbal.

Como começar a disciplina?

Nos primeiros meses, através do choro do bebé. O choro do bebé serve para que lhe prestemos atenção e entendamos as suas exigências. Os bebés não sabem falar, não conseguem dizer-nos o que se passa: utilizam, então, o choro.
Será fome, sono, dor? O que sabemos é que algo não está bem quando surge esse sinal de alarme. No entanto, com o tempo, o choro, tal como acontece com o sorriso, transforma-se noutra ferramenta, cujas consequências permitem à criança aprender o efeito que produz. Vemos que cada comportamento tem uma consequência. [2]

Nos primeiros meses, e quando o choro é justificado, é normal pegar na criança ao colo para a acalmar, resolver a sua necessidade e dar-lhe o afeto necessário.

O que pode derivar em aprendizagens não desejadas e ter consequências negativas é pegar a criança ao colo para acalmar o nosso incómodo e conseguir que se cale. A criança aprende depressa: «A chorar consigo o que quero.»

Alguns pais tentam implementar estratégias como mudar o tempo de resposta face ao choro. No entanto, se esperarmos cinco minutos para o pegar ao colo, da vez seguinte dez, noutra pegamos de imediato, e noutra demoramos vinte minutos, a criança também aprenderá algo de importante: Descobrirá que a chorar, mais cedo ou mais tarde, obtém o que deseja.

Então… e agora?

Muitas vezes as crianças choram e requerem a atenção pois nunca aprenderam antes os seus próprios limites, como se entreterem ou confortarem sozinhas.

Assim, torna-se necessário que a criança tenha possibilidade de encarar certas situações sozinha, enfrentar a frustração e a necessidade de tentar de novo, de forma a poder sentir o triunfo de ter alcançado algo por si própria.

5 passos para ajudar a criança a confortar-se sozinha
Para nos ajudar neste sentido, de modo a que a criança consiga descobrir as suas capacidades, limites e segurança, Brazelton sugere uma abordagem de cinco passos que passa por:

Responder à pergunta: tem as necessidades básicas supridas (não tem dor, fome, tem a fralda limpa…)? Se sim:

  1. Estabelecer limites claros e apresentá-los como uma oferta e não um castigo;
  2. Deixá-lo experimentar a sensação de conseguir fazer algo sozinho;
  3. Mostrar-lhe e insistir em tarefas, tais como: acalmar-se sozinho, entreter-se quando está aborrecido. Podemos fornecer alguns objetos (como brinquedos, chucha, fralda de pano) e incentivá-lo a utilizá-los para se acalmar;
  4. Encorajá-lo a sentir orgulho nos seus sucessos. Quando se consegue acalmar sozinho, felicitá-lo;
  5. Por fim, para que não sinta que está a ser abandonado, abraçá-lo e acarinhá-lo entre os episódios, quando não está a pedir atenção a chorar.

Assim, ao deixar o bebé momentaneamente “sozinho”, está a ensiná-lo a utilizar os seus próprios recursos.

Tenham em atenção que cada bebé tem o seu ritmo e necessidades. Não se fala aqui de deixar um bebé sozinho no berço a chorar mas sim de ajudá-lo a ganhar estratégias que o permitam acalmar-se, sem estar sempre dependente de um adulto para o fazer.

“as crianças a quem nunca se permite acalmarem-se sozinhas ou ficarem sem companhia – por exemplo, crianças que adormecem apenas quando a mãe as põe ao peito – têm maiores probabilidades de se tornarem dependentes de outros para sossegarem.” [2]

O choro consegue ser, então, uma grande ferramenta. Saber o que fazer pode ser uma grande ajuda. Na MyBabysitter as babysitters estão aptas a ajudar com esta grande tarefa!

Beijinhos e xi-corações!

Fontes:


  1. 1.Sim-Sim, I. (1998) Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta.
  2. 2.Brazelton, T. & Sparrow J. (2011). A criança e o choro. Lisboa: Editorial Presenças
  3. 3.Brazelton, T. (2013). A criança e a disciplina. Lisboa: Editoral Presenças
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