13 Dúvidas sobre a Amamentação

O tema da amamentação tem sido alvo de dúvidas para muitas mães que usufruem dos nossos serviços. Por essa razão, foi elaborado este post para que possa ajudar nesta fase especial da vida das mamãs.

Em primeiro lugar, importa relembrar que, tal como afirma Mário Cordeiro “nenhuma mãe se pode sentir obrigada a dar de mamar, este é um ato de total liberdade, que deve durar enquanto a mãe e o bebé quiserem e puderem.”.[1]

Comecemos, então, as perguntas/respostas:

1. ATÉ QUE IDADE DEVO AMAMENTAR?

Segundo a Organização Mundial de Saúde os bebés devem ser alimentados exclusivamente com leite materno até aos 6 meses [2], continuando a ser amamentadas, pelo menos, até completarem os 2 anos de idade. É claro que, em alguns casos, como por exemplo o retorno precoce da mãe ao trabalho, possa dificultar, ou até mesmo impossibilitar a amamentação exclusiva. Mais à frente darei algumas estratégias para continuar com o aleitamento, mesmo depois do retorno ao trabalho.
Até aos 6 meses não deve ser dado nenhum outro alimento complementar ou bebida (inclusive água, que já se encontra na composição do leite materno). [3]
Aliás, “do ponto de vista nutricional, os bebés não precisam de alimentos sólidos antes dos seis meses de idade.” (p. 331)[4] A partir dos 6 meses de idade poder-se-á, então, introduzir alimentos sólidos (como sopas, papas, etc.) e manter o aleitamento materno

2. QUAIS AS VANTAGENS DA AMAMENTAÇÃO?

A amamentação traz várias vantagens tanto para o bebé, como para a mãe e família. [5]

Para o bebé:
• Previne infeções gastrintestinais, respiratórias e urinárias;
• Tem um efeito protetor sobre as alergias, nomeadamente as específicas para as proteínas do leite de vaca;
• Tem um impacto metabólico, ao nível da prevenção da obesidade;
• Traz vantagens a nível imunológico tendo em conta a composição microbiota intestinal, o que pressupõe uma maior qualidade das bactérias (mais protetoras e saudáveis);
• A longo prazo, traz vantagens na prevenção da diabetes.

Para a mãe:
• Facilita uma involução uterina mais precoce, e associa-se a uma menor probabilidade de ter cancro da mama;
• Possibilita sentir o prazer único de amamentar;
• Ajuda na recuperação pós-parto, uma vez que a gordura que é acumulada no último trimestre da gravidez, vai ser recrutada para a produção de leite;
• Potencia a contração do útero, um efeito tranquilizador e analgésico (devido aos picos de ocitocina);
• Considerando a diabetes gestacional, existe um maior controlo glicémico durante a amamentação;
• Ajuda a adiar uma nova gestação, sobretudo se a amamentação for praticada também durante a noite (devido à prolactina, que suprime a ovulação).

Para a família:
• Vantagens a nível económico: Método mais barato e seguro de alimentar o bebé.

3. QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE LEITE MATERNO E O LEITE ADAPTADO?

O leite materno é muito diferente do leite adaptado (leite em pó).
O leite materno contém todas as proteínas, açúcar, gordura, vitaminas e água que o bebé necessita para ser saudável.
Para além disso, contém determinados elementos que o leite em pó não consegue incorporar, tais como, anticorpos, enzimas e glóbulos brancos, o que ajuda a melhorar a imunidade do bebé. [5]

4. O QUE FAZER PARA O SUCESSO DA AMAMENTAÇÃO DO RECÉM NASCIDO?

• Iniciar a amamentação na primeira meia hora após o nascimento;
• Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou líquido além do leite materno, salvo indicação médica;
• Praticar o alojamento conjunto: Permanecer junto do bebé 24 horas por dia;
• Dar de mamar sempre que o bebé queira;
• Não dar tetinas ou chuchas ao bebé que esteja a ser amamentado ao peito.

Os primeiros quinze dias de vida do bebé, até que a lactação esteja bem estabelecida, são especialmente importantes. Durante este período de tempo, a mãe deverá ser ajudada por alguém que a substitua nas tarefas domésticas, de modo a poder dedicar-se inteiramente ao seu bebé. [5]

5. DURANTE QUANTO TEMPO DEVE O BEBÉ MAMAR?

A duração da mamada não é importante, pois a maior parte dos bebés mamam 90% do que precisam nos primeiros 4 minutos. [5] E esta hein? Alguns bebés prolongam mais as mamadas, mas, o que importa é perceber se o bebé está a obter leite da mama e se não está a fazer da mama uma chucha, uma vez que isto pode ferir os mamilos, criar fissuras e, por isso, levar a mãe a desistir da amamentação.
Mais importante que o tempo que o bebé mama é que este esvazie uma mama em cada mamada uma vez que, o primeiro leite que obtém é mais rico em água e lactose, e, à medida que vai mamando, o leite vai tendo cada vez mais gordura.

6. COMO PERCEBER SE O BEBÉ ESTÁ A MAMAR?

Pode perceber se o seu bebé está a mamar quando verifica que a sucção é mais lenta do que, por exemplo, com uma chucha. Pode, ainda, perceber quando verifica que o bebé enche as bochechas de leite ou quando ouve, por vezes, o bebé a engolir o leite.

7. QUAL O MELHOR HORÁRIO PARA AMAMENTAR?

Nos primeiros dias do bebé não existe horário para mamar. Tal como afirma Brazelton “A princípio, é o bebé que precisa de estabelecer o horário das mamadas. (…) Quando as mães estão ainda a tentar compreendê-lo, é melhor seguirem as suas exigências enquanto vão aprendendo gradualmente qual dos seus diferentes tipos de choro significa fome e quais significam que ele está aborrecido ou cansado.” [4] p.330
Assim, o bebé deve ser alimentado quando tem fome, ou seja, em “regime livre”. [5]
Quando um bebé tem fome ele acorda para comer e este alerta é importante para uma melhor ingestão de leite materno. No entanto, não se deve deixar o bebé dormir mais de 3 horas durante o primeiro mês de vida, devendo ser acordado para mamar.
Por volta das 6 semanas os bebés nascidos a termo já devem ter horários regulares, com mamadas dadas de quatro em quatro horas. [4]

8. COMO MANTER OU AUMENTAR A PRODUÇÃO DE LEITE?

De forma a manter a produção do leite, o bebé deve primeiro esvaziar a primeira mama e, se depois disso, continuar com fome é que lhe é oferecida a segunda mama. O que estimula a produção de leite é a sucção do bebé, ou seja, quanto mais o bebé mamar, mais leite será produzido. Isto acontece pois, quando o bebé mama há produção, no cérebro da mãe, de uma hormona chamada prolactina que tem como principal função promover a produção de leite para a mamada seguinte. Esta hormona é mais produzida à noite. Assim, amamentar durante a noite é especialmente importante para manter a produção de leite. Para além disso, de forma a aumentar a produção de leite pode, ainda, amamentar com mais frequência durante alguns dias e retirar o leite, sempre que não esteja com o bebé. [5]

9. O QUE É A OCITOCINA E EM QUE INFLUENCIA A AMAMENTAÇÃO?

A ocitocina é uma hormona produzida no cérebro da mãe que faz com que o leite que está na mama saia. Se o reflexo da ocitocina não funciona bem, o bebé pode ter dificuldade em receber leite.

10. COMO AJUDAR O REFLEXO DA OCITOCINA?

Ter sentimentos agradáveis como sentir-se contente com o seu bebé, tocá-lo, olhar para ele ou mesmo ouvi-lo chorar ajuda o reflexo da ocitocina. Para além disso, é necessário ter confiança na sua capacidade de amamentar e a convicção de que o seu leite é o melhor para o bebé. [5]
Fatores como stress, sentimentos desagradáveis como dor, preocupação, dúvidas se terá leite suficiente, podem bloquear o reflexo e parar o fluxo de leite.

11. O MEU BEBÉ CHORA QUANDO ACABA DE MAMAR, TEREI O LEITE FRACO?

Não existe tal coisa como “leite fraco”. Todo o leite materno é forte e adequado ao crescimento e desenvolvimento das crianças. [1]
Algumas mães têm esta dúvida e pensam que o seu leite é insuficiente porque o bebé chora mais do que o habitual ou no fim da amamentação. Isto pode acontecer quando a mãe tenta amamentar a criança em horário bastante rígido, deixa a criança esperar muito tempo para mamar ou troca de mama quando o bebé ainda não esvaziou totalmente a primeira, não ingerindo, assim, quantidade suficiente da gordura que está no final da mamada, ficando insatisfeito.
Assim, deve amamentar sempre que o bebé tenha fome, e deixá-lo esvaziar uma mama até ao fim (até que ele pare espontaneamente), só depois é que deve oferecer a outra e alterar na mamada seguinte. [5]

Fique tranquila, se o seu bebé sempre que vai às consultas está a aumentar de peso, está com certeza a alimentar-se em quantidade suficiente.

12. DEVO DEIXAR O MEU BEBÉ ADORMECER ENQUANTO MAMA?

Não. O bebé não deve adormecer ao colo ou a mamar. Tal como afirma Brazelton “… não o deixem adormecer nos vossos braços. (…) deitem-no quando ele já estiver sossegado, mas ainda não a dormir, e deixem que ele faça o resto.” (p. 151-155) [4]
Uma boa forma de não permitir que isto aconteça poderá passar por “acordar o bebé e não o deixar muito agasalhado, dado que isso favorece o adormecimento”.[5]

13. COMO CONTINUAR COM A AMAMENTAÇÃO QUANDO VOLTAR PARA O TRABALHO?

Voltar a trabalhar é, na maioria das vezes, motivo de alguma ansiedade e preocupação. Para continuar a dar leite materno ao seu bebé pode:
• Tentar levar a criança para uma creche perto do local de trabalho, na qual possa ir amamentá-la;
• Pedir a alguém para levar a criança para mamar enquanto trabalha;
• Retirar o leite, se estas hipóteses anteriores não forem viáveis, antes de sair de casa e deixá-lo para ser dado ao bebé;
• Retirar o leite, no seu local de trabalho, com a frequência com que o bebé mamaria;
• Amamentar sempre que estiver em casa, à noite, logo pela manhã, e sempre que possível.

Durante o babysitting pode, ainda, deixar o leite materno congelado para que a babysitter possa aquecer e dar ao seu bebé.

Num próximo post irei falar sobre o desmame e dar algumas dicas de quando e como deve ser feito.

Espero que tenha sido útil, deixem os vossos comentários!

Beijinhos e xi-corações!

Fontes:

Fotografia: Melina Anastazia Photography


  1. 1.Artigo Observador - Até quando se deve amamentar?
  2. 2.World health organization (2001) – The optimal duration of exclusive breastfeeding – Report of an Expert Consultation. Geneva, Switzerland
  3. 3.Recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS)
  4. 4.Brazelton, T. B. (2009). O grande livro da criança: O desenvolvimento emocional e do comportamento durante os primeiros anos. Barcarena: Editorial Presença
  5. 5.Levy, L. Bértolo, H. (2012) Manual de Aleitamento Materno. Comité Português para a UNICEF.
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